É inegável que em grande parte
nós somos o que aprendemos a ser. Aquela
ansiedade que sentimos diante de algumas ou de todas as pessoas não é uma
marca, um estigma que trazemos do berço.
É um fenômeno aprendido mas, se aprendemos alguma coisa, podemos,
também, desaprendê-la ou modificá-la.
As mensagens implícitas e
explícitas recebidas de nossos pais e de outras pessoas significativas em nossa
infância nos ensinavam como proceder. As
instruções diretas dadas pelos pais influenciam a aprendizagem infantil; são
ordens tais como: “seja boazinha”, “obedeça sempre aos mais velhos” e a
terrível pergunta: “o que é que os outros vão pensar de você?”
(O que os outros vão pensar sobre nós é
problemas deles. O que nós pensamos
sobre nós mesmos é o que realmente
importa.)
Então, como efeito colateral
indesejado da educação, somos levados à passividade e tornamo-nos indivíduos
submissos. Desenvolvemos a crença de que
devemos ser complacentes, que não temos o direito de recusar o que não é de
nosso interesse, sob pena de sofrermos, do mundo externo, uma censura coletiva e, de nós próprios, uma
culpa auto-corrosiva, tão fartamente disseminada pela nossa cultura
judaico-cristã.
O QUE É
UMA VÍTIMA?
Você está sendo vitimado em todas as ocasiões em que
descobre que não controla sua vida. A
palavra chave aqui é CONTROLA. Se você
não está dirigindo sua vida, alguém está.
As vítimas são, antes de qualquer coisa, pessoas que
levam a vida de acordo com os ditames de outrem. Descobrem que fazem coisas que realmente não
querem, ou estão sendo manipuladas e conduzidas para atividades carregadas de
desnecessário volume de sacrifício pessoal, que geram ressentimentos. Ser vitimado, da forma como uso aqui a
palavra, significa ser governado e controlado por forças externas a você. Mas, embora essas forças estejam
indubitavelmente presentes em nossa cultura, você
raramente pode ser vitimado, a menos que
permita que isso aconteça.
O medo, e em algum sentido o
costume, é de acreditar que a outra pessoa tomará a recusa como rejeição
pessoal. Mas não é precisamente este
caso. Sua própria firmeza assertiva pode
arcar com 50 por cento da responsabilidade de transformá-la numa relação adulto
– adulto. Os outros 50 por cento podem
ser arcados pela outra pessoa. Somente
evitando excessiva “proteção” (paternalismo)
à outra pessoa, poderá ser estabelecido um intercâmbio assertivo. Parte da lição é aprender a deixar ao outro
adulto a responsabilidade dos seus 50 por cento.
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